A nossa Amazônia!

A nossa Amazônia!
Foto: Arnoldo Santos/ Lago do Curuçá/ Rio Solimões/ Município do Careiro

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Valor pessoal, valor de jornalista...meu valor

Eu, pensando...
Outro dia, estava no meio de um grupo de estudantes de jornalismo. Ao falar sobre o que eles deveriam buscar, entrei no assunto "fama". Disse que jornalista que busca fama ou vai se frustrar ou se iludir, ou até mesmo os dois e mais alguns. E lembro da frase com que ressaltei o meu pensamento: "não busquem fama, busquem bons salários". Minha fala foi pra alertar que, no final das contas, fama é um placebo da alma que funciona que nem o velho "Mercúrio Cromo" que a gente, quando era criança e se feria com alguma coisa, preferia bem mais ao famigerado "Merthiolate". Porque serve apenas para deixar as bactérias vermelhinhas. E só! Porque muito mais do que ser famoso, o jornalista é um funcionário, de uma empresa que executa o jornalismo como atividade empresarial.
Diante disso, resumindo, queria dizer aos alunos que tudo tem de ser feito com amor, dedicação e crença em nossos valores. Mas também com toques de realidade e consciência de nossa situação empregatícia. Somos empregados, Se o patrão decidir que não vai mais pagar o que ganhamos, não ganharemos, pois o olho da rua nos estará esperando. E pra ser mandado embora não precisa ir diretamente de encontro a interesse de patrão nenhum. Basta que a economia aperte e a corda começa a puir exatamente no lugar em que nós seguramos. Por isso que também disse que não adianta muito o discurso inócuo de que devemos fincar o pé contra as injustiças dentro do trabalho, tecla batida por alguns companheiros militantes.
Foi quando um aluno levantou e disse que "não concordava com o que eu falava e que, ainda, não deveria ficar falando mal de pessoas da área de jornalismo que são famosas ou mesmo dos sindicalistas". Eu retruquei e disse que, além de não estar falando mal de nenhum colega famoso, meu discurso não era de desmontar a tese dos sindicalistas colegas. Depois de ter falado algumas palavras mais, um sentimento me permeou a mente de súbito. E resumi: fama, pra mim, é estar aqui entre vocês! Fui sincero e até passional. E a discussão acabou naquele momento. Passei para outro assunto.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Reativando

Caríssimos,
Não vou me alongar. Quero apenas informar que estarei postando mais vezes e demorando menos pra renovar o conteúdo. Espero que curtem o que lerão doravante. Mas se não gostarem, também não tem problema. Vamos falando, certo?

segunda-feira, 16 de março de 2015

SABER PERGUNTAR É MELHOR DO QUE SABER RESPONDER

Uma das maiores dúvidas dos jornalistas que estão no início de sua prática é "o que perguntar". Isso sobre em relação a qualquer pauta, qualquer assunto, seja quem for o entrevistado. Por isso penso que saber perguntar deve ser uma busca constante do profissional de reportagem. O problema é que explicar como se faz isso, em particular na sala-de-aula, é complicado, sim. E não basta falar apenas de teoria. Entrevistar se aprende, ou se começa a aprender, praticando a arte. Portanto, aqui vai a reprodução de um link que da á dicas muito interessantes e reais, de maneira bem fácil de entender. O material foi produzido pelo Knight Center for Journalism in the Americas, que é um projeto de extensão da Universidade de Austin (EUA). O texto é da jornalista brasileira Natália Mazotte, blogueira do site. As dicas são fáceis de aplicar quando chegar a hora. Ao colegas Focas meu muito boa sorte! #tamujunto

Guia para jornalistas que querem aprimorar a arte da entrevista



Na rotina jornalística, a entrevista está entre as atividades mais essenciais. Ela é a alma do jornalismo: pode impulsionar ou detonar uma matéria, dar vida a narrativas e conduzir à compreensão de acontecimentos complexos. Ainda assim, a maioria dos repórteres aprimora esta habilidade por tentativa e erro. E, às vezes, o erro vai em formato de áudio com engasgadas vergonhosas direto pro editor.
Apesar de não ser uma ciência exata, dominar algumas técnicas pode facilitar o caminho do jornalista que quer se tornar um entrevistador daqueles que arrancam boas respostas até das fontes mais evasivas. Conheça algumas delas neste guia preparado pelo Centro Knight com links e dicas de profissionais experientes no assunto.
1. Defina seus objetivos
Antes de mais nada é preciso saber o que se quer da entrevista: aspas, confirmação, contexto, reconstituir uma cena? Este é o primeiro passo para traçar a estratégia a ser adotada.
A Knight Chair em Jornalismo e professora da Universidade de Missouri Jacqui Banaszynski aconselha os jornalistas a responderem as seguintes perguntas antes de ligarem seus gravadores: Por que você está fazendo esta matéria? O que você precisa saber (e como vai conseguir)? O que você quer saber (e como vai conseguir)? Qual é o seu propósito ou foco inicial? Quais são os desafios logísticos/jornalisticos/éticos/morais envolvidos?
2. Esteja preparado
Uma boa entrevista começa muito antes do contato com o entrevistado. Como Jon Talton, colunista do Seattle Times, escreveu para o Reynolds Center, conhecer muito bem a fonte e o tema que será tratado é o dever de casa. Fazer uma lista de perguntas prévias não garante o sucesso da entrevista, mas pesquisar e estar completamente por dentro do que será debatido e da pessoa com quem se debaterá pode render bons frutos.
Um bom exemplo disso é dado pelo colunista do Poynter Chip Scanlan: "AJ Liebling, uma escritora famosa da The New Yorker, conseguiu uma entrevista com o conhecidamente lacônico jóquei Willie Shoemaker. Abriu com uma única pergunta: Por que você monta com um estribo maior do que o outro? Impressionado com o conhecimento de Liebling, Shoemaker falou".
3. Saiba como perguntar
Assim como Liebling, jornalistas frequentemente se deparam com entrevistados que não estão tão dispostos a falar quanto se deseja. Saber perguntar, nestas horas, faz toda a diferença. Segundo as lições do jornalista investigativo canadense John Sawatsky, uma autoridade na arte da entrevista, para a American Journalism Review e para o Poynter:
  • evite perguntas cujas respostas possam ser apenas "sim" ou "não" (a não ser que se queira confirmar alguma informação precisa), prefira as do tipo "como", "por que", "o que".
  • mantenha as perguntas curtas e focadas em um único assunto (uma de cada vez)
  • evite hipérboles ou palavras carregadas
  • mantenha sua opinião fora das perguntas
  • não tente argumentar com a fonte para convencê-la da sua versão; ao invés disso, peça para ela comentar uma informação que você saiba ser verdadeira
  • sempre questione: como você sabe?
  • pergunte sobre temas sensíveis sem soar "combativo"
  • peça exemplos e descrições, isso ajuda a fonte a lembrar e articular as respostas
4. Conduza uma conversa
A ganhadora do Pulitzer Isabel Wilkerson considera entrevistas "conversas guiadas" nas quais a dinâmica da relação é mais importante que qualquer questão individual. "Nas escolas de jornalismo, ninguém chama as interações entre jornalistas e fontes de relacionamento, mas é isso que são", diz ela.
Aprenda a fazer anotações sem olhar apenas para o caderno. É fundamental manter uma interação visual e corporal com o entrevistado. Demonstrar empatia deixa a fonte mais à vontade, o que aumenta as chances dela se abrir. "Entrevistar é a ciência de ganhar a confiança, depois ganhar a informação", ressalta John Brady em "A Arte da Entrevista".
5. Escute e controle o ritmo
Às vezes o jornalista está tão preocupado em seguir o seu rascunho que não percebe os momentos por onde a história pode se desenvolver mais. Não corte a possibilidade de informações mais profundas virem à tona pulando muito rapidamente para a sua próxima pergunta. Se houver limitações de tempo, concentre-se no tópico mais importante, escolha com sabedoria. Se o tempo for liberado, explore os pontos que soarem mais interessantes durante a entrevista.
6. Faça perguntas a partir das respostas
Não deixe qualquer dúvida passar em branco. Questões derivadas de respostas mal compreendidas costumam dar pano pra manga. Como ensina Banaszynski, "para cada questão, pergunte outras cinco".
Seja um ouvinte interessado e perceba quando as respostas te levam para outras perguntas sobre o tema. Conforme explica Sawatsky, quanto mais você demonstra que está realmente ouvindo, mais confiança se estabelece.
7. Negocie os termos de antemão
Deixe claro o propósito e o contexto da entrevista e procure saber no início as preocupações da fonte. Isso pode evitar que você seja surpreendido com um pedido de "off the record" [não publicar a informação passada] depois de uma entrevista reveladora.
Em um interessante artigo sobre a arte da entrevista para a Columbia Journalism Review, a jornalista Ann Friedman cita Max Linsky, um entrevistador de peso do Longform Podcast, que diz: "Longas entrevistas podem ter três atos - saiba onde você quer começar, onde você quer terminar, e como você quer chegar lá. E deixe o entrevistado conhecer o plano! Essas conversas podem sair dos trilhos rapidamente - compartilhar o roteiro antecipadamente permite que você interrompa e mude as coisas com mais facilidade. Faz com que entrevistado e entrevistador se sintam como se estivessem no mesmo time. "
8. Cara a cara, telefone, e-mail?
A entrevista pode ser feita das mais variadas formas: pessoalmente, por telefone, skype, e-mail, com uso ou não de câmeras de vídeo. Escrevendo para o Poynter, a jornalista Mallary Jean Tenore citou a preferência de cinco jornalistas com os quais conversou. A maioria ressalta que a conversa cara a cara permite que o repórter observe detalhes do comportamento do entrevistado e da cena que escapam em conversas por telefone ou e-mail.
Quando a distância com a fonte não permite o contato pessoal, recorre-se ao telefone ou até mesmo a ferramentas como o Skype. Ao falar por ligações on-line, o uso da webcam tem a vantagem de permitir que se veja a expressão corporal do entrevistado.
É unanimidade que a entrevista por e-mail é a última opção. Mas o meio é válido para agendar a entrevista, fazer perguntas preliminares ou verificar informações e tirar dúvidas posteriores.
Aqueles que optarem por gravar em vídeo devem estar atentos a algumas questões técnicas, como a captura de áudio e os planos que serão usados. Casey Frechette, do Poynter, aconselha antecipar o que pode dar errado durante a entrevista em vídeo para ter sempre uma carta na manga. Checar duas vezes se as baterias estão carregadas, se o equipamento está funcionando bem e se a locação está liberada, por exemplo, é crucial.
9. Seja esperto, ouse ser ignorante
Certifique-se de que entendeu o que significam certas expressões, jargões e busque analogias. Nas palavras de Ann Friedman, "banque o estúpido", especialmente quando o assunto é técnico e complexo demais. Peça para a fonte explicar como se estivesse falando a uma criança.
10. Fique atento ao pós-entrevista
Banaszynski observa que é sempre bom anotar telefones, e-mails, endereços, detalhes sobre o local e o entrevistado. Se precisar, não hesite em fazer contato novamente para tirar dúvidas ou até mesmo agendar uma segunda entrevista. Após a publicação, é sempre bom passar a matéria à fonte e estar aberto a seus comentários.
Chip Scanlan acrescenta que a auto-avaliação é uma boa forma de se aperfeiçoar. Ao transcrever as conversas gravadas (e gravar é fundamental!), observe não só as respostas, mas as suas perguntas. "Você faz mais perguntas que encerram a conversa ou que a estimulam? Você interrompe o seu interlocutor quando ele está começando a se soltar? Você soa um ser humano interessado e amável ou um promotor atormentado?"


https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-14023-guia-para-jornalistas-que-querem-dominar-arte-da-entrevista

sábado, 31 de janeiro de 2015

O Mundo continua o mesmo, mas e eu?

O Mundo continua o mesmo. Até aí, nada de novidade. Mas a pergunta é: e vc? O ano já é o Novo, logo se espera que as mudanças tenham pelo menos entrado na lista do que fazer nos próximos 12 meses. Então, pensando bem...lá no fundo, a gente chega a conclusão de que a vontade é grande.
Acho que "estar com vontade" já um grande começo. Agora, é dizer que o agora, o "já" é o momento certo. Deixar com que o presente seja a sua única referência de tempo e momento. Não perder nenhum segundo para estar botando em prática o que se quer fazer. É, na prática, ter novidades a contar no final de 2015 já sendo acumuladas agora. Emagrecer? Solidificar um novo amor? Estudar? Seja o que for...com decisão tomada, nenhum tempor perdido, fé na força maior, que costumamos chamar de Deus, o "agora" tem de ser o único tempo verbal a ser conjugado na sua vida. Mãos á obra! Pau na máquina! Viva a vida!

sábado, 11 de janeiro de 2014

O dia de quem nunca existiu...

Tem dias em que a gente acorda com saudades de quem nunca existiu. Mas se existisse, o dia apareceu perfeito pra um café na cama. Do mesmíssimo jeito que sempre a gente viu nos filmes, novelas, seriados e tal. Do jeito gosto que sempre nos pareceu. Ou o dia perfeito pra ir na feira, comprar condornices. Apenas uma desculpa pra se jogar o tempo fora ao lado da pessoa, dessa mesma que nunca existiu, mas se existisse... Não...não é um dia pra não fazer nada...mesmo porque, se a pessoa existisse, não valeria a pena ficar ao lado dela sem fazer nada...
Definitivamente, tem dias em que a gente acorda com saudades de quem nunca existiu...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Quando tudo parece estar perfeito

Um bom vinho e uma boa combinação de antepastos levemente picantes, com azeitonas pretas italianas. Um início perfeito de uma noite perfeita. Aí, vc bota Deam Martin, ou Sinatra, ou Cesaria Evora na vitrola... o BG ideal pra cenas perfeitas...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Jornalismo, a mesma coisa

Pautas que se repetem em determinadas épocas do ano são mais que comuns nas redações. Chega carnaval, a mesma coisa com festas juninas, idem no natal. Mas tem pautas que se repetem nos espelhos de pauta independentes de época. Aí, é um fato diretamente proporcional à capacidade de pesquisar novos assuntos e, por que não dizer, novas abordagens sobre assuntos batidos. Quando não acontece nenhum dos dois, a gente vê o jornalista ir pra frente da camera e puxar o assunto como se fosse novo e, pra completar, fazer perguntas a um especialista como se eles mesmos não soubessem nada disso. Tá certo! Há os que defendem o lado de que nunca é demais avisar ou ensinar, mas há também a necessidade de sairmos da mesmice. Esse é o desafio: inovar, seja em qualquer área da atividade profissional. O jornalismo não se vê livre disso. O desafio é diário. A audiência, também.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sempre vale a pena

Estar rodeado de pessoas compromissadas com os bons resultados coletivos dá força para qualquer jornada de trabalho. Hoje foi um dia tenso, de momentos sem gosto, mas sobrevivemos todos...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Poesia atrasada para quem já foi



Quando foi que te olhei?
Quando foi que te perdi?
Quanto foi que te procurei?
Onde te achei?
No final da noite é que o orvalho molha a planta. Mas também é no final da noite que a boca fica seca...pelo tempo que passei sem te beijar...
É agora que ouço os grilos, buscando sonhos, do tamanho de um grilo...mas sonhos são sonhos.. se forem sonhos de amor são muito mais viagens...por mundos estranhos...por mundos escassos...por mundos famintos...com sede de teus olhos...com fome de teus lábios... com necessidade de ter sua presença em minha mente... ter sua mão em minha mão...seu suspiro em meu ouvido...seu gosto em minha boca...seu cheiro em minha carne...
Quando foi que te achei?
Como foi que te falei?
Como foi que beijei?
Onde te prendi?
É manhã do dia renovado...Mas o sol é de hoje e de ontem... e o bom é que ele não vai se esquecer do que viu... Vai ser cúmplice do que sentiu...Vai ser parceiro de nós dois!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Dupla dinâmica...

Pai e filha...totalmente protegido....

O filho da "lenda" volta à Amazônia. Pra que?

Recebi este release convidando minha equipe para cobrir o evento. Antes do comentário, veja o que se trata:


"Na próxima terça-feira dia 15 de outubro, acontecerá um encontro histórico entre Jean-Michel Cousteau, filho do legendário explorador Jacques Cousteau, e o Dr. Francisco Ritta Bernardino, pioneiro do ecoturismo no Amazonas e proprietário do Hotel Ariaú Amazon Towers.

Os dois embarcarão para um almoço no Ariau Açu, barco que foi utilizado na expedição de Jean-Michel Michel em “Retorno à Amazônia”. O percurso será realizado no Rio Negro e os jornalistas presentes terão a oportunidade de entrevistá-los e cobrir a navegação. José Truda Palazzo líder ambientalista de reconhecimento internacional que traduziu o livro “Retorno à Amazônia” para o português estará presente e disponível para tradução.

A embarcação faz um registro para comemorar a chegada da Exposição “Retorno à Amazônia” no Centro Cultural Palácio Rio Negro e o lançamento do Livro de mesmo nome. Trata-se de uma expedição que teve início com o lendário Jacques Cousteau, o Rei dos Mares, em 1982, e percorreu toda a extensão de 6.800 quilômetros da Amazônia. A mostra é uma realização da Editora Cultura Sub e da Ocean Futures Society.

Há 30 anos, Jacques Cousteau, seu filho Jean Michel Cousteau e uma equipe de mais de 50 pessoas, faziam a primeira expedição na Amazônia como nunca havia sido explorada: por terra, água e ar. Vinte e cinco anos depois, seu herdeiro revisitou a grande floresta com os seus filhos e grande parte da equipe que fez a expedição em 1982, com um novo objetivo: em 25 anos, o que mudou na floresta? Essa e outras respostas estarão ilustradas nessa magnífica exposição, onde cada detalhe será desvendado em 30 telas ilustradas com as imagens feitas pela fotógrafa Carrie Vonderhaar e um painel informativo assinado por Jean Michel Cousteau curador da exposição.

Jean Michel Cousteau é Presidente da Ocean Futures Society, navegou durante décadas ao lado do seu pai e viaja ao redor do mundo se reunindo com líderes e formadores de opinião a fim de apoiar o fortalecimento e alianças pela proteção ambiental. Produziu mais de 75 filmes, ganhou vários prêmios, entre eles: Emmy, Peabody, 7 d’Or e CableACE." . O material foi enviado pela empresa Advice Comunicação Corporativa.

Comentando: Não serei o jornalista que cobrirá o assunto, já que vamos enviar equipe. Um dos ossos do ofício da minha atual função é ter de ficar num gabinete resolvendo mais problemas administrativos do que propriamente jornalísticos. Mas passei à repórter algumas provocações. Uma delas é saber o que mudou na visão do ecologista, filho do, segundo o próprio release, "legendário" Jacques Costeau, que desvendou a Amazônia em filmagens até então nunca produzidas. Filmou, por exemplo, o mitológico boto cor-de-rosa, o leito do rio Amazonas em pleno encontro das águas, e flagrou cenas amazônicas vistas pelo mundo todo na forma de documentários com a marca da National Geografic. Muita gente tem perguntado sobre "o que mudou na Amazônia" depois dos 30 anos. Acho que importa mais a resposta à primeira pergunta. Pois quem ganhou mais dinheiro com as produções da família Costeau foi o próprio patriarca expedicionário, sua prole e sua equipe. E não a Amazônia.
 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Enquanto isso, na redação...em plena tarde de domingo...


Como de costume, o repórter chega à redação para mais um plantão de domingo. Geralmente, só toma conhecimento da pauta quando pega o documento impresso, minutos antes de sair pra externa. Aí, ele descobre a inédita pauta: "vamos fazer uma reportagem sobre a movimentação da ponta negra e do largo de são sebastião nesta noite de domingo"... mesmo com a imensa vontade de cometer um harakiri-baiano, o nosso herói ainda tem de ler lembretes da produção que tem mais cara de sarro da cara do que sugestão de roteiro. Tipo: vamos pegar imagens de crianças, personagens simpáticos, famílias passeando... etc etc etc... daí que o repórter vai e consegue parir uma matéria... com sonorinhas simpáticas... imagens bem feitinhas e até sobe som... um bolo de confeitaria perfeito... pelo menos fez valer o gasto de gasolina, de tempo de uso de equipamento, de tempo de mão de obra do profissional... meu sentimento é de solidariedade e respeito ao intrépido salva-pautas... eu ainda me assusto quando vejo essas coisas... talvez fizesse a mesma coisa, ou nem tão bem quanto... só talvez...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Caprichoso lota Curral mesmo com a derrota*

(*Depois da apuração, minha última missão na Ilha. Cobrir a festa do vice campeonato do Caprichoso. Matéria saiu no Portal D24, mas com texto editado. Por isso, um pouco diferente do que está publicado)

Assim que o resultado do festival de Parintins foi confirmado, dando a vitória ao Garantido, torcedores do boi Caprichoso rumaram para o curral Zeca Xibelão e lotaram suas dependências festejando o que eles chamaram de “campeonato moral”. “Nós somos o verdadeiro boi do centenário e toda a Parintins sabe disso”, disse a rainha do folclore do Caprichoso, Brena Dianná.
A festa do vice campeonato mais parecia um dos ensaios, realizados em Manaus e Parintins, que antecedem ao festival, com banda, bailarinos e o curral lotado. Gente jovem, crianças e até gente idosa, como a aposentada Francisca Pires (85), componente da Marujada de Guerra há 45 anos, segunda conta. Sentada e apenas obersvando a juventude, dona Francisca estava alegre. “Quando se é uma coisa, tanto faz perder ou ganhar, a paixão continua a mesma”, diz dona Francisca. Alegre e simpática, a antiga marujeira diz que não ficou triste pelo resultado, por isso estava ali comemorando.
No meio dos desabafos, a opinião experiente da vice-presidente do Boi Caprichoso, Socorro Carvalho, disse que é preciso mudar alguns itens no regulamento do festival. “Tem de rediscutir a forma de escolha de jurados. Tem de escolher gente de renome nacional. Hoje a pessoa dá a nota que quer e vai embora. Se fosse gente de renome nacional, ele não se atreveria em dar uma nota esdruxula”, disse Socorro.
O comandante da Marujada, Baleinha, reclamava. “O contrário ganhou, mas não sei como. Mas agora vai ter eleição do boi e agora, bola pra frente.  Infelizmente, fomos derrotados, mas não de maneira justa. Mas vamos pensar agora no próximo ano”, concluiu.
Até o início da noite, a festa no Zeca Xibelão correu sem problemas. Mas um fato chamou atenção, como que fizesse parte o próprio folclore. Uma mulher apareceu na frente do curral azulado vestida com uma blusa e um chapéu vermelhos. A torcedora encarnada foi devidamente enxotada do lugar na base do xingamento e do banho de cerveja.
E curtindo do jeito dela, de maneira serena, vestida com uma portentosa camisa azul e branca, dona Maria Dercy (78) diz para a reportagem, com orgulho, que é Caprichoso “desde o aparecimento dele (do boi Caprihoso”.  E completa com a simplicidade do caboclo sobre essa "tristeza" de perder o festival. “Para o ano ele (Caprichoso) vai ganhar, se Deus quiser. Caprichoso perdeu, mas foi bem pouquinho”, decretou a velha torcedora.
Curral Zeca Xibelão lotou, mesmo com a derrota


Dona Maria Dercy (78): "perdeu, mas foi pouquinho"

terça-feira, 25 de junho de 2013

Bumbódromo novo define festival de adaptações e aprendizado

As mudanças estruturais no bumbódromo de Parintins não são visíveis apenas para o público leigo. Técnicos responsáveis pelas apresentações de Caprichoso e Garantido tiveram de replanejar seus desenhos, o que está gerando expectativa e preocupação.
Tanto na montagem das alegorias quanto na geração e captação de som, o ânimo nas duas agremiações oscila entre a empolgação pela suntuosidade da estrutura nova e a incerteza de que tudo vai sair tecnicamente perfeito.
“Esse ano vamos ter que nos adaptar. Eu acho que é uma coisa natural”, avalia Juarez Lima, um dos principais artistas do boi Caprichoso, que estava na arena verificando detalhes da sua apresentação. Ele se referia à mudança de limites das medidas das alegorias que cada boi terá de montar da arena. Ainda no mês de março, as duas agremiações acordaram em diminuir as dimensões das alegorias por conta da superestrutura metálica que foi montada. Cada alegoria diminuiu em dez metros o tamanho de sua frente. O limite caiu de 40 metros para 30 metros. Altura e dimensão de fundo das alegorias também diminuíram.
O coordenador da comissão de artes do Garantido, Fred Góes, também demonstrou sua preocupação. “Nós só vamos poder falar quando a gente ouvir o som com a banda aqui (no bumbódromo). Pelo menos, pelo investimento, a pretensão é que saia o melhor som  possível”, declarou, lembrando que a avaliação final será dada somente depois dos ensaios técnicos e a passagem de som, dentro da arena.
A preocupação dos artistas dos bumbás não é para menos. A estrutura metálica montada se resume em 450 toneladas de ferro e aço, num arco de 130 metros de envergadura e um formato de chifre – olhando de cima, claro. O homem que projetou o colosso metálico é considerado o “maior iluminador do Brasil”, apesar de ter nascido na Alemanha.
Fugido dos horrores da segunda guerra, Peter Gasper, 73, chegou ao Brasil ainda menino, com onze anos de idade. A família Gasper  foi morar no Rio Grande do Sul, mas Peter foi para o Rio de Janeiro estudar arquitetura onde se especializou em cenografia. Voltou à Alemanha para estudar iluminação cênica e, no decorrer da carreira, ganhou fama ao realizar os projetos de iluminação de eventos como o show de Frank Sinatra no Maracanã, a missa do papa João Paulo II no Aterro do Flamengo, o Rock’n’Rio I e de locais conhecidos como o sambódromo do Rio de Janeiro e as estruturas de Oscar Niemeyer em Brasília.
No meio da arena do bumbódromo de Parintins, com simpatia admirável, Peter Gasper declara: “já sou freguês daqui do Amazonas e de Parintins”. Sobre a estrutura metálica, Gasper diz que os bois vão ter de aprender a usar cada vez mais. “É um upgrade que os bois ganharam. Os bois sempre tiveram o talento de fazer um bom espetáculo de luz, mas não tinham a estrutura certa”, avalia o cenógrafo.
Em termos de quantidade, Peter diz que os números podem ser irrelevantes. “Nós podemos usar mil lâmpadas, ou cinco mil refletores, mas isso seria apenas para encher texto. O que importa aqui é a qualidade”, completa. No meio da equipe, falando em inglês com vários técnicos da sua equipe, Gasper diz que a estrutura montada no bumbódromo não tem igual no Mundo. O acesso dos técnicos e equipamentos, o espaço disponível e a facilidade de passagem do pessoal são características que fariam os maiores especialistas de iluminação do Mundo ficar admirado, garante Gasper.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Rindo para uma parede...

E aí, Cabocadaaaaaa! Espia...

Esta foto é de uma parede do palco do antigo curral do Garantido, em Parintins. É a imagem do mestre Lindolfo, já idoso e de quando era jovem.
Eu vi a imagem de uma parede... A parede da voz potente, que todos diziam que ele tinha.
A parede da persistência, em manter sua brincadeira de rua, apesar das dificuldade, que imagino já existirem naquele tempo.
Uma imagem em uma parede...a parede do amor do boi branco...inexpugnável proteção contra as investidas do contrário que, naquele tempo, acabavam em "purrada" mesmo, maninho...
Uma imagem na parede... na parede da memória, que ela mesma simboliza, pela quantidade de grandes momentos do boi que presenciou...
Uma imagem da parede, que nem precisou de luz artificial para que a foto ficasse visível... será que por ter luz própria aquela imagem? será que por ter sido fotograda com o coração...e que o coração não precise de recursos para ver tudo desanuviado...motivo simples para amar um boizinho branco, é...justamente aquele que só tem um coração na testa...
Uma imagem na parede... nada se mechia, mas tudo parecia bailar... dois para um lado, dois passos para o outro lado... ao som das modinhas antigas que estavam sendo entoadas por velhos cantadores da baixa...
Não, eu não estava bêbado... estava apenas admirando uma parede..
Literalmente, estava "rindo para a parede", feito leso...
Não, eu não estava bêbado...
Estava tão somente...
Feliz...

terça-feira, 21 de maio de 2013

Como se brinca na Baixa?


CABOCADAAAAAAA!

São quase seis horas... hora de fechar a casa pra carapanã não entrar..
É hora de tomar a bença dos mais velhos dos velhos...
E lembrar de páginas escritas no próprio livro da vida...

Foi numa noite quente de junho,
Eu vi o sorriso nos rostos dos curumins e cunhantãs da baixa...
Eu vi um caboco fazer a alegria de criançada, mesmo sem a cara pintada,
mas como se fosse um grande palhaço em seu picadeiro rubro...
Fábrica de sonhos... que não era Wonka, não era famoso, era sim um anônimo artista... mais um nascido por essas plagas mágicas...terra de parintintin...

Ele pegou um boizinho de pano e saiu dançando ao som de velhas toadas...
E a meninada foi atrás... numa cena impagável...daquelas que a gente só vê
nas ruelas, nos quintais, nos terreiros da 'banda da xanda'...
E a roda ficou animada...o boizinho, que é todo branco e só na testa tem vermelho, se tornara GIGANTE...o centro da roda...
Eu vi o sorriso nos rostos dos brincantes mais jitinhos...

Uma cena impagável...

E olha que eu não estava em cadeira especial, nem em camarote vip..
Estava bem pertinho mesmo... no meio do chão...
Para mim este ´o festival essencial... o resto é bumbódromo paridor de itens...
Para mim "é aqui que se brinca de boi, é assim que se brinca de boi"
 

terça-feira, 12 de março de 2013

Descobertas...

Quando se fala que a vida é uma sequëncia de descobertas, é a pura verdade. A gente fica apenas torcendo para que não seja muito tarde. Daí que, ultimamente, descobri que as pequenas atitudes devem ser consideradas como importantes. Para a pessoa que está próxima, algo ínfimo pra vc pode ser um grande gesto pra outra pessoa. Portanto, meu caro, minha cara...tente descobrir...se não descobrir, pergunte mesmo...na lata! Senão, pode se arrepender depois.

O menino do rio Madeira

Quando tem madeira flutuando na beira, o silêncio do rio é quebrado pelo constante abalroamento das toras flutuantes entre si e com a margem. O velho banheiro flutuante, um comodo coberto com folhas de zinco, contendo apenas um buraco no meio dele, onde o caboco "obra" de cócoras, era o ponto de apoio da brincadeira. Jaconia (sim, é o nome dele mesmo) brincava com uma pedaço de linha comprida, com um anzol desdentado na ponta, isca de pão molhado com saliva feito uma bola, e a brincadeira seguia. Aos 9 anos de idade, Jaconia jogava a linha pacientemente. De longe, em cima de um barranco, fiquei por alguns minutos observando a cena. Mais comtemplando do que observando. De súbito, fiquei pensando como que aquele menino, plena era do Ipad, Face, e outras guloseimas tecnológicas da alma, conseguia se divertir. Desci, me aproximei, perguntei, depois de me sentir mais próximo e com ele mais solto diante da visita.

- Jaconia, entre assistir televisão e pescar, o que você prefere?
(segundos de suposta reflexão)
- Pescar!
(simples e exato como se fosse um papagaio cortando o outro no talo)

Me despedi e fui embora. Nunca mais vi aquele menino, porque nunca mais voltei àquele lugar. Margem do rio Madeira, entre Humaitá e Manicoré. Ganhei o dia, naquele dia.